sexta-feira, 16 de maio de 2008

Matemáticos em Recife

Recife em 19 de Fevereiro de 1963

Da esquerda para a direita:

José Morgado
Ruy Luís Gomes
Theophilo Vasconcelos
Ivan Loureiro
Zaluar Nunes
Sixto Rios
?????
Maria Helena
Rivaldo
Múcio

domingo, 11 de maio de 2008

Homenagem à Resistência Antifascista

HOMENAGEM À RESISTÊNCIA ANTIFASCISTA

Amigos e Companheiros

Estamos aqui reunidos, por ocasião do décimo primeiro aniversário da Revolução dos Cravos, junto ao edifício que serviu de sede à pide no Porto, para prestar homenagem à Resistência Antifascista.

Lembramos, neste momento, os democratas que aqui estiveram presos; lembramos os companheiros que estiveram encarcerados em qualquer das prisões fascistas do nosso país; lembramos todos os antifascistas que foram deportados para o Campo de Concentração do Tarrafal; lembramos todos os que foram torturados pela pide; lembramos todos os que, nas prisões ou fora delas, perderam a vida para nós vivêssemos, perderam a vida na luta contra o fascismo.

Lembramos também aqueles Amigos que, ainda vivos ou já mortos, sempre lutaram pelas Liberdades Democráticas, pela elevação do nível de vida do Povo português, pela Independência Nacional e pela paz e Cooperação entre os Povos.

Uma homenagem à Resistência Antifascista portuguesa não pode deixar de lembrar a resistência nos Países que foram vítimas da agressão dos exércitos nazi-fascistas, não pode deixar de lembrar os que foram vítimas de guerras coloniais, assim como não pode deixar de lembrar os que ainda agora vivem em países dominados por forças fascistas, nem deixar de lembrar os que lutam contra a invasão do seu país por bandos fascistas, organizados e pagos pelo imperialismo.

Na verdade, onde quer que se encontre um resistente antifascista, - no Chile, ou na Turquia, ou na África do Sul, ou na Namíbia, ou em El Salvador, ou em Angola, ou em Moçambique – encontra-se, como sabemos, um participante na luta geral dos povos pela Liberdade e pela Paz.

Assim, uma homenagem à Resistência Antifascista Portuguesa inclui necessariamente uma palavra de respeito e admiração por aqueles que foram, no passado, vítimas de agressões fascistas e uma palavra de solidariedade militante com aqueles que, actualmente, em qualquer país do Mundo, resistem à agressão por parte de forças ao serviço do imperialismo.

Uma homenagem à resistência Antifascista Portuguesa não se faz apenas de recordações do passado, por mais emocionantes que tais recordações sejam – e são! Como antifascistas que somos, temos de procurar, na experiência do passado, alguma luz para a compreensão do presente e para renovar o nosso compromisso com o futuro.

*

Permitam-me, queridos amigos, que lhes leia, aqui e agora, um documento histórico. Trata-se do compromisso com o futuro, assumido por um notável grupo de resistentes antifascistas, ex-prisioneiros do Campo de Concentração de Buchenwald, que os nazis inauguraram, em 1937, na Alemanha Oriental. Após a sua libertação pelo exército soviético há precisamente 40 anos, em Abril de 1945, os ex-prisioneiros de Buchenwald publicaram um documento com a seguinte declaração:

«Nós, ex-presos de Buchenwald, russos, franceses, polacos, checos, eslovacos, alemães espanhóis italianos, austríacos, belgas, holandeses, ingleses, luxemburgueses, romenos, jugoslavos e húngaros, lutámos em conjunto contra as SS e os criminosos nazis, para conseguir a nossa libertação. Animou-nos uma ideia: a nossa causa é justa – a vitória será nossa. Realizámos em muitas línguas a mesma luta, dura e cheia de vítimas. E esta lusa ainda não terminou …

Por esta razão nós juramos, perante todo o mundo, nesta praça de humilhação, neste lugar de crueldade fascista: somente paramos com a nossa luta quando o último culpado for apresentado perante os juízes dos povos!

Construir um mundo novo de paz e liberdade, ele o nosso objectivo!

É este o nosso dever perante as vítimas e os seus parentes.»

É muito semelhante a este o nosso compromisso de antifascistas portugueses. Tal compromisso está claramente expresso na Constituição da República Portuguesa, que, no seu Preâmbulo, declara «A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.»

No seu artigo 1º, a Constituição proclama: «Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na sua transformação numa sociedade sem classes.»

E, no seu artigo 2º, a Constituição determina: «A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no respeito e na garantia dos direitos e liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização política democráticas, que tem por objectivo assegurar a transição para o socialismo mediante a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.»

Pelo que respeita à política externa, a Constituição ordena, no artigo 7º, nº 2, que: «Portugal preconiza a abolição de todas as formas de imperialismo, colonialismo e agressão, o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.»

*

Estas transcrições da Constituição que acabo de vos ler e que, de certo modo, exprimem o nosso compromisso de antifascistas portugueses com o futuro, mostram, queridos Amigos, quanto o nosso compromisso com o futuro está longe de poder ser considerado como cumprido; mostram, queridos Amigos, que temos de continuar unidos e fortalecer e ampliar a nossa unidade até que sejam uma realidade as promessas e esperanças consignadas na Constituição.

Com efeito, é uma triste verdade que temos à frente dos destinos do País um governo reaccionário, um governo comprometido com a contra – revolução, um governo onde pontificam alguns membros de governos fascistas, um governo que, na sua acção diária, atenta contra a letra e o espírito da Constituição da República.

Age contra a letra e o espírito da Constituição, nomeadamente contra os direitos e liberdades dos cidadãos, quando pretende impor ao País uma lei dita de segurança interna, de índole nitidamente fascista, indigna, portanto, do Portugal de Abril.

Age contra a letra e espírito da Constituição, quando, em vez de abrir caminho para a sociedade socialista, o seu chefe declara com arrogância que meteu o socialismo na gaveta, alguns dos seus ministros declaram impunemente que empresas públicas devem ser desmanteladas, o governo, no seu conjunto, atenta contra as nacionalizações, mobiliza forças militarizadas contra a reforma agrária, arranca as terras das UCP’s para as entregar aos antigos latifundiários e ignora as decisões do Supremo Tribunal Administrativo, quando são favoráveis às UCP’s.

Age contra a letra e o espírito da Constituição, ofendendo os direitos e liberdades dos trabalhadores, quando toma ou defende medidas que equivalem a negar, aos trabalhadores, o direito ao trabalho e a instituir, para o grande patronato, o direito ao despedimento de trabalhadores; quando, não só fica inerte perante o crime social do não pagamento de salários a quem trabalha, como se opõe, por intermédio de uma maioria dócil na Assembleia da República, às iniciativas que têm sido tomadas por alguns deputados para resolver o problema dos salários em atraso ou para minorar algumas das suas consequências mais gravosas.

Age contra a letra e o espírito da Constituição, quando em vez de preconizar a abolição de todas as formas de imperialismo, o desarmamento geral, simultâneo e controlado, e a dissolução dos blocos político-militares , se compromete, cada vez mais, com o imperialismo, cedendo-lhe mais facilidades em território nacional, endividando o País, cada vez mais, com o armamento, sujeitando os trabalhadores portugueses às conveniências do imperialismo, fomentando a propaganda do bloco político-militar do Pacto do Atlântico, permitindo que, em território nacional, sejam tomadas medidas contrárias ao bom relacionamento com os governos de Angola e Moçambique.

Age ainda contra a letra e o espírito da Constituição, quando desconsidera, marginaliza e persegue alguns Capitães de Abril.

Pois bem; nós, que aqui viemos para prestar homenagem à Resistência Antifascista, jamais pactuaremos com os que conspiram ou agem contra a Revolução de Abril.

Jamais pactuaremos com os que, dizendo-se, embora, socialistas, conduzem a política mais ferozmente anti-socialista que até hoje foi seguida por qualquer governo após o 25 de Abril.

Jamais pactuaremos com quem pretende destruir as nacionalizações, com quem pretende desmantelar as empresas públicas, com quem pretende liquidar a reforma agrária.

Jamais pactuaremos com os que, na sua acção política, se tornaram delinquentes habituais contra a Constituição da República.

Por isso, de braços abertos a todos os resistentes antifascistas, defendemos a demissão, quanto antes, do governo que aí está e defendemos a responsabilização dos seus membros pelos delitos que tenham praticado contra os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, contra a independência nacional e contra a economia nacional.

Defendemos a dissolução da Assembleia da República e a consequente realização de eleições legislativas antecipadas.

Defendemos a formação de um governo de unidade antifascista que dê garantias de respeitar a Constituição da República.

Só apoiaremos a candidatura à Presidência da República de alguém com credibilidade política que dê garantias de respeitar e continuar Abril.

VIVA O 25 DE ABRIL! VIVAM OS CAPITÃES DE ABRIL!

25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!

José Morgado,

Porto, junto à antiga sede da pide,

25 de Abril de 1985

quinta-feira, 8 de maio de 2008

GUERRA NUNCA MAIS!

GUERRA NUNCA MAIS!

No dia 8 de Maio de 1945, às 23 horas e 1 minuto (hora da Europa Ocidental) terminou, na Europa, a 2ª Grande Guerra. Nesse dia e nessa hora, perante o marechal soviético Zukov e o marechal britânico Tedder, na presença do general francês Lattre de Tassigny e o general americano Spaatz, os representantes do alto comando do exército hitleriano, marechal de campo Keitel, coronel-general Stumpff e almirante-general von friedeburg, assinaram o documento de rendição incondicional da Alemanha nazi.

Na conferência da Crimeia, realizada em 11 de Fevereiro de 1945, os dirigentes das Nações aliadas Grã-Bretanha, Estados unidos da América e União Soviética, resolveram declarar:

«É nossa vontade inabalável destruir o militarismo alemão e o nacional-socialismo, actuando para que a Alemanha nunca mais seja capaz de perturbar a paz mundial. Estamos dispostos a desarmar e dissolver todas as forças armadas alemãs; a destruir uma vez por todas o Estado-Maior general alemão que repetidas vezes reestabeleceu o militarismo alemão; (…) a apresentar os criminosos de guerra ao tribunal e castigá-los, promovendo ao mesmo tempo a reparação de todos os danos causados pelos alemães; a abolir o partido nacional-socialista, as leis, as organizações e instituições nacional-socialistas, eliminando das repartições públicas, assim como da vida cultural e económica da nação alemã, todas as influências nacional-socialistas e militaristas e ordenando a tomada de medidas necessárias para a paz futura e a segurança mundial. Não temos a intenção de aniquilar o povo alemão, mas só quando o nacional-socialismo e o militarismo forem exterminados, existirá para os alemães a esperança de uma vida digna e dum lugar no meio da comunidade dos povos.»

Em face disto, é claro que a iniciativa, do governo dos Estados Unidos, de patrocinar a formação do Pacto do Atlântico e a entrada da Alemanha Ocidental para esse pacto, o rearmamento geral e, especialmente, o rearmamento da Alemanha Ocidental, o aproveitamento de quadros nazis para ocupar postos de comando na organização das forças armadas e manter focos de militarismo, constitui grosseira violação de obrigações livremente assumidas, que lança a inquietação em todo o mundo e obriga outros países a rearmar-se também, para se defenderem de uma eventual agressão.

O trágico balanço do crime fascista que consistiu em desencadear a 2ª Grande Guerra deve estar presente na mente de todos nós: 50 milhões de mortos, sendo 20 milhões de soviéticos, mais de 6 milhões de polacos, mais de milhão e meio de jugoslavos, 600 000 franceses, 400 000 mil americanos, 375 000 mil britânicos, 6 milhões de alemães, etc.

Este trágico balanço faz-nos pensar em como é criminosa qualquer orientação política que conduza a apoiar grupos ou governos fascistas em qualquer parte do mundo, em como é criminosa qualquer orientação política que conduza a provocar o rearmamento, nomeadamente a produção de armas nucleares.

O único governo que até hoje teve a crueldade suficiente para usar armas atómicas contra seres humanos, promovendo um holocausto atómico, foi o governo dos Estados Unidos. No dia 6 de Agosto de 1945, às 11 horas e 15 minutos (hora local) uma superfortaleza voadora americana lançou uma bomba atómica na cidade japonesa de Hiroxima e, no dia 9 de Agosto, às 11 horas e 2 minutos, outra superfortaleza voadora americana lançou outra bomba atómica sobre a cidade japonesa de Nagasáqui.

Estas duas bombas atómicas provocaram um total de cerca de 130 000 mortos e 70 000 feridos, além de destruições materiais como nunca antes se tinha visto.

Não voltou a ser usada a bomba atómica contra seres humanos, não porque os criminosos que ordenaram o seu uso se tivessem arrependido do crime que cometeram contra a humanidade, mas porque a isso se opôs o grande movimento mundial de massas pela paz e cooperação entre os povos. A bomba atómica e outras armas de destruição em massa não foram usadas pelos agressores americanos na Coreia nem no Vietnam, porque a isso se opuseram os povos unidos em defesa da paz, incluindo o povo americano, cuja luta contra a guerra, especialmente contra a guerra na Coreia e no Vietnam ficará inscrita, como exemplo, na memória dos povos!

Mas deve reconhecer-se que, não tendo podido usar novamente, contra seres humanos, armas atómicas ou nucleares, cujo poder destruidor deixa a perder de vista as bombas atómicas usadas contra o povo japonês em Hiroxima e Nagasáqui, a crueldade e insensibilidade da classe dos que, desde 1945, ameaçam o mundo com a destruição nuclear, não diminuíram, pelo contrário, actualmente são muito frequentes as ameaças nucleares proferidas por representantes da classe que detém o poder nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo que investem muitos biliões de dólares no fabrico de engenhos nucleares, gastam também milhões e milhões de dólares na preparação de actos de subversão e preparação de quadros assassinos, por intermédio da CIA.

A falta de escrúpulos em promover o fabrico de brinquedos infantis que imitam asmas de guerra sofisticadas, em exibir filmes, alguns dos quais destinados a crianças, onde se imita a chamada “guerra das estrelas” (falta de escrúpulos só comparável à revelada pelo propósito do Sr. Reagan de, no quadragésimo aniversário do fim da guerra na Europa, ir prestar homenagem à memória dos criminosos das SS nazis) põe a nu o carácter belicista da orientação política seguida pela classe dominante de um país de tão gloriosas tradições de luta pela liberdade e pela paz!

Numa sociedade em que impera a ideia do lucro, as armas que são produzidas destinam-se a serem usadas e substituídas por outras armas, pois só assim cumprem a função de dar lucro, par que foram fabricadas.

Desta forma, quando um governo de uma sociedade em que impera a ideia do lucro diz que produz armas para não serem usadas, tal governo sabe que está mentindo, sabe que produzir armas para não serem usadas, está em contradição com o tipo de sociedade em que elas são produzidas.

É preciso acabar com tal mentira!

A defesa de uma política de paz reclama o desarmamento, reclama a reconversão da indústria do armamento em indústrias que visem a elevação do nível de vida do povo, em indústrias destinadas a facilitar o trabalho humano, a proporcionar tempos livres que possam ser utilizados para recreação e elevação do nível cultural do povo.

O povo repele a hipocrisia e desonestidade de uma política que se diz de paz e prepara a guerra!

O povo quer uma política que se diga de paz e prepare a paz, uma política que se diga de paz e pratique o desarmamento, uma política que se diga de paz e utilize o dinheiro que se iria gastar em armas de destruição em massa, para resolver o problema da fome!

Contra a chantagem nuclear, contra a chamada “guerra das estrelas”, contra a instalação de mísseis na Europa e em todo o mundo, contra a instalação de bases militares, defendemos a realização de negociações que abram caminho ao desarmamento e cooperação entre os estados!

O problema da paz diz respeito a todos nós!

A 39ª Assembleia Geral das Nações Unidas, por proposta da República Democrática Alemã, aprovou uma resolução que declara os dias 8 e 9 de Maio dias de luta contra o fascismo.

Por ocasião do 40º aniversário do fim da guerra na Europa, a Associação Portugal-URSS saúda todos os partidários da paz portugueses e todos os partidários da paz soviéticos e formula os seus melhores votos de que as próximas negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética tenham o melhor êxito no interesse da paz e cooperação entre os povos.

Os milhões de vidas humanas que se perderam em consequência da última guerra mundial, os sofrimentos de tantos milhões de seres humanos perseguidos e vitimados pelos fascistas, a salvaguarda da vida da Humanidade ameaçada pelo holocausto nuclear, exigem de todos nós

UNIDADE DE ACÇÃO EM DEFESA DA PAZ!

FASCISMO NUNCA MAIS!

GUERRA NUNCA MAIS!

VIVA A PAZ E COOPERAÇÃO ENTRE OS POVOS!

Porto, 2 de Maio de 1985

O Conselho Distrital do Porto

Da Associação Portugal - URSS

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Matemáticos dos anos 40


Da esquerda para a direita: Hugo Ribeiro, José Morgado, Zaluar Nunes, Pereira Gomes, José Silva Paulo e Benvindo Reis